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Conheça 'O Espectro de Iks'

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O Espectro de Iks já está disponível na Amazon por este link ! Iks se adaptou completamente a um mundo impossível de se adaptar. Um mundo em que as poucas pessoas que sobraram andam por becos em roupas pesadas e máscaras ao ar livre para se proteger do vento. Mesmo assim, Iks era feliz. Trabalhava em um lugar que lhe permitia sentir o Sol na pele, ver a vida florescer e ser colhida, para à noite escapar e assistir filmes antigos. Era sua rotina perfeita, até o dia em que um acidente mudou tudo. Nesta história sobre a vida de qualquer pessoa, sobre as escolhas que fazemos e aquelas que são inevitáveis, Iks vê a cidade em que mora, com todas suas memórias, se fechar ao seu redor sem poder fazer nada. Iks descobre que se adaptar não é uma escolha, é uma parte fundamental da vida. O Espectro de Iks é um romance de ficção especulativa do autor Guilherme L. A. Pimenta já disponível para leitura no Amazon Kindle. A obra, escrita em 2014 e publicada originalmente em 2016, foi to...

O pão de mel é nove

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— Bom dia, vai ser o que hoje? — Um frapuccino , por favor. E esse pão de mel aqui. Tá quanto ele? — Nove. — Hm. Só o frapuccino . — Claro. — Quinze reais, pagamento? — Crédito. — Pode inserir ou aproximar. Seu nome? — Rafael. — Obrigada, Rafael. Só aguardar que vão te chamar pelo nome. — Obrigado. — Próximo? — Oi, bom dia. — Bom dia, senhora. — Nossa, tão corrido o dia hoje. — Ô. — Tá fácil pra ninguém. — Pois é. — Tá fácil não. — Qual vai ser o pedido da senhora? — Vai ser só o café. — Qual tipo vai ser? — Café. — Perdão, o tipo. A senhora quer expresso, coado, temos o cardápio aqui. — Hm. — A senhora quer ver o cardápio? — O que vocês têm? — Que tipo de café a senhora gosta? Mais tradicional, doce, frio? — Credo, café frio? — Nós temos algumas opções. — Cadê o cardápio? — Logo aqui, senhora. — Só tem isso de opção? — Tem do outro lado também, as opções mais doces. —  Ó. É mesmo. —  Frapuccino , mocaccino , tem milk-shake com café também. —...

Assistindo a uma história de dentro dela

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  Este texto NÃO CONTÉM SPOILERS de nenhuma campanha do Critical Role. Como uma história se passa dentro da sua cabeça? Essa é uma pergunta que pode ter milhões de respostas se você perguntar para milhões de pessoas. Por mais similar que seja nossa biologia dentro da espécie, é impressionante a quantidade de combinações que esses negocinhos chamados neurônios conseguem fazer segundo a experiência de cada um de nós. Portanto, o que eu vou falar aqui pode não ter nada a ver com o jeito que a sua imaginação funciona. O que é o normal. Se você tem uma experiência exatamente igual a minha, não me diga. Eu tenho medo de acabar descobrindo um multiverso por acidente. Mas, enfim, neste texto eu queria falar um pouco sobre uma jornada em um mundo imaginário de mais de 3 anos. E como narrativas diferentes podem ampliar os músculos da imaginação mesmo para um cachorro velho como eu. Vem comigo! O meu jeitinho de acompanhar histórias Eu imagino que existam estudos sobre formas predominantes d...

Ninguém sofre mais do que eu

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Contém moderados spoilers de A Verdadeira Dor (2024) Dualidade, nuance e conflitos internos nem sempre são fáceis de trabalhar no cinema. Livros podem gastar páginas e páginas presos dentro da mente de um personagem, assim como a gente passa boa parte do tempo na vida real. Pensamentos que acompanhamos no nosso ritmo, com a nossa voz dentro da cabeça, sempre puxando o texto para nossas experiências pessoais. Já um filme tem geralmente entre 90 e 150 minutos para contar uma história - incluindo trama, motivações e mensagens. É muito difícil se aprofundar nos conflitos de uma pessoa no meio da corredeira rápida que é a narrativa de um longa-metragem. A história precisaria investir pesado no desenvolvimento de personagem ou ficar 10 minutos com a cena parada nos olhos do protagonista enquanto ele narra o que está pensando. Eu queria que fizessem um filme assim, só pelo inusitado. Essa limitação transformou cineastas em mestres dos símbolos e significados. Um ângulo de câmera, uma expressã...

Escapismo nem sempre é sobre escapar

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Acho que este texto vai ser curtinho. E acho que não tem spoilers demais além da premissa do filme Ghostlight . Eu só acho, tá? Tô começando a escrever agora. Provavelmente não vou revisar pra voltar aqui e consertar. É o meu incrível nível de profissionalismo. Mas vem comigo. Sempre me incomodou como o termo escapismo é pejorativo. A gente podia ficar um bom tempo aqui discutindo o motivo e chegar à conclusão óbvia: vem dessa ideia terrível de que tudo que a gente faz tem que ter um objetivo prático ou um sentido literal. E fugir disso é perder tempo. Mas isso é conversa pra outra hora. Por agora, o que eu queria falar é como o filme Ghostlight mostra que escapismo é muito mais do que ignorar algo que incomoda. É processar aquilo que parece impossível de ser processado logicamente. Tomara que eu consiga não escapar do escopo. Hã, hã. O escapismo em Ghostlight Ghostlight é um filme de 2024, escrito e dirigido por Kelly O’Sullivan, que conta a história de uma família despedaçada. Quando...

Assimetria

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— Mas não é possível! Depois desse acesso de raiva explosivamente controlado, ele continuou um tempo parado, com a cabeça levemente pendendo, mão direita segurando o queixo com o braço esquerdo cruzado na frente apoiando. E os olhos fixos, tentando entender. À frente dele, um sofá cinza, um pouco desbotado no pedaço perto da janela. Mas o sofá era tão dispensável à cena que ele nem registrava sua presença. Acima dele estava o motivo de toda sua fúria ardente e contida. O quadro que ganhara da mãe, decorando sozinho a parede. Tinha uma moldura feita para parecer mais chique do que era. Madeira com alguns ornamentos entalhados, tudo pintado com uma tinta que já foi dourado vivo algum dia. O quadro em si era só um quadro desses de feira. Representava uma cidade de interior, com rua de pedra, casas coloniais e uma igreja no morro lá do fundo. A perspectiva estava claramente errada, para quem se desse ao trabalho de olhar por mais de um segundo. Não era feio, nem particularmente bonito. Era...

Hellblade 2: uma saga sobre empatia

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Mitos foram escritos na história por muitos motivos: para educar, para pôr medo, para inspirar, para justificar. Ou seja, mitos parecem muito terem sido feitos no passado como formas de entender a própria natureza humana, quando contar histórias era um dos poucos mecanismos que tínhamos para entender como a gente mesmo funcionava. Não, eu não tenho capacidade acadêmica para aprofundar no ponto. Mas, quando vemos tantos mitos usados em histórias de hoje, parece que uma boa parte dessa origem se perde. Fica apenas a casca: os nomes, os acontecimentos, talvez a grande moral vaga daquilo tudo.  Ao ponto em que, hoje, a maioria das mitologias mais famosas – como grega e nórdica – são muito mais sobre o heroísmo e poderes legais do que sobre entender nossas relações com os outros e nós mesmos. Felizmente, existem exceções. Hellblade 2: Senua’s Saga, é uma dessas. A magia quando não havia ciência Antes de falar especificamente sobre Hellblade 2, queria apontar como essa abordagem já exist...

O filme Parachute e os clichês de neurodivergência

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Isso pode parecer um choque para você, mas Hollywood não é exatamente uma referência em retratar a neurodivergência. Por isso que, quando alguém faz diferente, mesmo com uns problemas, ele se destaca tanto para mim. Eu fico, nossa, fizeram o básico. Que coisa, né? E é a aparente preocupação maior ao retratar esse tipo de situação como foco narrativo que eleva ainda mais o excelente Parachute, escrito e dirigido por Brittany Snow – aquela mesma que cantava no The Bellas com a Anna Kendrick. Logo depois que o filme terminou, fiquei pensando em como poderia explicar o que mais me cativou nele – além, claro, de atuações muito boas e um roteiro bem amarradinho. Mas só conseguir pensar em falar sobre Parachute listando todos os clichês de transtornos mentais que vejo retratados no cinema e como isso é estranho para quem realmente convive com esse tipo realidade.  Eu entendi o que Parachute foi para mim analisando o que ele não é. Baseando em alguns lugares-comuns tão presentes que resolv...